Ahmet Cihangir Emral · Merter Gülen · Bahadır Ege
Introdução
A doença hemorroidaria é uma condição anorretal benigna frequentemente encontrada na prática clínica de cirurgiões especializados em proctologia.
Nos últimos anos, a aplicação de tecnologias a laser foi introduzida no tratamento de diversas doenças anorretais benignas, incluindo:
- fístula perianal
- doença pilonidal
- doença hemorroidaria
Nos estágios iniciais da doença hemorroidaria (graus 1–2), entre 4% e 7% dos pacientes apresentam sintomas.
O tratamento inicial é geralmente conservador, incluindo:
- mudanças no estilo de vida
- ajustes dietéticos
- tratamento medicamentoso.
Entretanto, o tratamento cirúrgico torna-se necessário em pacientes que não respondem ao manejo conservador.
Uma das técnicas mais utilizadas atualmente é a hemorroidectomia de Milligan-Morgan, descrita pela primeira vez em 1937.
Embora essa técnica apresente baixas taxas de recorrência, ela está associada a diversas complicações, incluindo:
- sangramento
- infecção ou abscesso
- estenose anal
- incontinência
- fissura anal
- dor pós-operatória.
Devido a essas complicações, técnicas não excisionais e minimamente invasivas, como a ligadura elástica e a hemorroidoplastia a laser, foram desenvolvidas.
Tratamento com laser
O uso do laser no tratamento da doença hemorroidaria foi descrito pela primeira vez em 1998 em um estudo experimental conduzido por Barr e colaboradores.
Nesse procedimento, uma fibra de laser é introduzida através de uma pequena incisão na base da hemorroida, promovendo coagulação do tecido hemorroidario.
As complicações mais frequentemente relatadas após a hemorroidoplastia a laser incluem:
- trombose
- sangramento.
Essa técnica é utilizada principalmente em doença hemorroidaria grau 2–3 e estudos demonstram que ela apresenta:
- menor tempo cirúrgico
- retorno mais rápido às atividades diárias
- menor dor pós-operatória
quando comparada aos métodos excisionais tradicionais.
Ligadura elástica
A ligadura elástica foi inicialmente descrita por Blaisdell e posteriormente modificada por Barron.
Essa técnica tornou-se amplamente utilizada no tratamento da doença hemorroidaria interna por ser eficaz e de baixo custo.
O procedimento promove:
- retração do tecido hemorroidario
- fibrose
- fixação dos coxins hemorroidarios.
As complicações mais comuns da ligadura elástica incluem:
- desconforto retal
- dor
- sangramento.
Resultados
O estudo incluiu 260 pacientes.
Destes:
- 166 foram tratados com ligadura elástica
- 94 foram tratados com hemorroidoplastia a laser.
Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto ao grau da doença antes da cirurgia.
Também não houve diferenças significativas entre os grupos quanto a:
- dor no 7º e 14º dias pós-operatórios
- tempo de retorno às atividades
- complicações
- recorrência em até 1 ano.
No entanto, a hemorroidoplastia a laser apresentou menor dor no primeiro dia pós-operatório e menor uso de analgésicos, com diferença estatisticamente significativa.
Discussão
O tratamento com laser provoca:
- coagulação intra-hemorroidaria
- contração do tecido
- desnaturação proteica submucosa
- fibrose.
Esses efeitos promovem adesão do tecido tratado às estruturas subjacentes, prevenindo o prolapso.
A ligadura elástica também promove fibrose e retração dos coxins hemorroidarios.
Ambos os métodos são minimamente invasivos e geralmente não causam danos ao esfíncter anal interno.
Por esse motivo, a piora da continência ou estenose anal não é esperada com essas técnicas.
No estudo, não foi observada piora da continência em nenhum paciente.
Conclusão
Na doença hemorroidaria grau 2–3, tanto a hemorroidoplastia a laser quanto a ligadura elástica são métodos minimamente invasivos eficazes.
Ambos apresentam:
- baixa dor pós-operatória
- baixa taxa de complicações
- retorno precoce às atividades
- taxas semelhantes de recorrência.
Entretanto, a hemorroidoplastia a laser apresentou menor dor e menor necessidade de analgésicos no primeiro dia após o procedimento, o que pode contribuir para maior satisfação dos pacientes.
Leia mais em: https://doi.org/10.1007/s44411-025-00022-x




