Fechamento de fístula anal com laser (FiLaC): resultados iniciais e fatores que influenciam o sucesso

Dung Ngoc Tran, Anh Ngoc Nguyen, Vinh Thu Thi Nguyen, Dung Quang Luu, Phan Duc Nguyen, Quan Anh Nguyen, Linh Van Nguyen, Cuong Van Truong, Ha Ngoc Hoang, Anh Tu Nguyen and Tung Thien Pham

Introdução

O manejo da fístula anal permanece um desafio para cirurgiões, especialmente em casos mais complexos. O principal objetivo do tratamento é eliminar o trajeto fistuloso e controlar a infecção, preservando, ao mesmo tempo, a anatomia e a função do esfíncter anal.

Embora técnicas tradicionais, como fistulotomia e fistulectomia, apresentem altas taxas de sucesso, elas estão frequentemente associadas a desvantagens importantes, como feridas cirúrgicas extensas, dor pós-operatória significativa e maior risco de incontinência anal. Diante disso, técnicas minimamente invasivas que preservam o esfíncter têm sido cada vez mais adotadas na prática clínica.

Nesse contexto, o fechamento de fístula com laser, conhecido como FiLaC, surge como uma alternativa alinhada às tendências atuais da cirurgia, priorizando menor agressão tecidual e melhor recuperação funcional.

Objetivo

O presente estudo teve como objetivo avaliar os resultados iniciais da técnica FiLaC, além de identificar os principais fatores que influenciam sua taxa de sucesso no tratamento da fístula anal.

Metodologia

Trata-se de uma análise retrospectiva de dados prospectivamente coletados de pacientes submetidos ao procedimento FiLaC no Hospital da Universidade Médica de Hanói, no período entre fevereiro e junho de 2024.

Todos os pacientes incluídos no estudo passaram por avaliação clínica completa, associada a exames de imagem, como ultrassonografia perineal, proctoscopia e ressonância magnética da pelve. Foram incluídos pacientes com diagnóstico de fístula anal, independentemente de histórico cirúrgico prévio, sendo excluídos aqueles com presença de abscesso ativo, condição considerada contraindicação para a técnica.

O procedimento foi realizado com o uso de uma fibra de laser com comprimento de onda de 1470 nm e potência de 13 watts. A técnica consiste na introdução da fibra no trajeto fistuloso, promovendo destruição do epitélio, desnaturação de proteínas e contração do tecido ao longo do trajeto, resultando no seu fechamento progressivo. Ao final, foi realizada a sutura da abertura interna e a remoção do tecido fibroso da abertura externa, favorecendo a drenagem e evitando o fechamento precoce inadequado.

Resultados

O estudo incluiu um total de 30 pacientes, com idade média de 38,7 anos, sendo a maioria do sexo masculino. Parte dos pacientes apresentava histórico prévio de cirurgia para fístula anal, e uma parcela menor havia sido submetida previamente à colocação de seton.

O tempo médio do procedimento foi de 27,5 minutos, e o período médio de internação hospitalar foi de aproximadamente 1,3 dias, com a maioria dos pacientes recebendo alta em até 24 horas. O tempo médio de acompanhamento foi de 10,6 meses.

Em relação aos desfechos clínicos, observou-se uma taxa de cicatrização inicial de 70%. Ao final do período de acompanhamento, 90% dos pacientes apresentaram cicatrização completa. Nenhum caso de complicação intraoperatória ou pós-operatória significativa foi registrado, e não houve ocorrência de incontinência anal.

Fatores que influenciam o sucesso

A análise dos fatores associados ao sucesso do procedimento demonstrou que a homogeneidade do trajeto fistuloso exerce influência significativa sobre os resultados. Pacientes com trajetos de diâmetro uniforme apresentaram taxas de sucesso substancialmente superiores quando comparados àqueles com trajetos irregulares.

Por outro lado, variáveis como idade, sexo, histórico de cirurgia prévia, classificação da fístula e comprimento do trajeto não apresentaram associação estatisticamente significativa com os desfechos do tratamento.

Discussão

A técnica FiLaC atua por meio da aplicação de energia laser diretamente no interior do trajeto fistuloso, promovendo coagulação, contração do tecido e posterior fibrose, o que resulta no fechamento da fístula. Por tratar-se de uma abordagem minimamente invasiva e que preserva o esfíncter anal, apresenta vantagens importantes em relação às técnicas convencionais.

Além disso, o procedimento está associado a menor tempo de internação, rápida recuperação e retorno precoce às atividades diárias. Outro aspecto relevante é que, mesmo nos casos de falha, o FiLaC não compromete a realização de tratamentos cirúrgicos subsequentes, nem agrava a condição clínica do paciente.

As principais causas de insucesso identificadas no estudo incluem a presença de trajetos secundários e a heterogeneidade do diâmetro da fístula, fatores que podem reduzir a eficácia do efeito de contração promovido pelo laser.

Conclusão

O fechamento de fístula anal com laser (FiLaC) se apresenta como uma técnica segura, minimamente invasiva e com baixas taxas de complicações, especialmente no que diz respeito à preservação da continência anal.

Os resultados observados demonstram taxas de sucesso promissoras, particularmente em casos bem selecionados, sendo a homogeneidade do trajeto fistuloso um fator importante para melhores desfechos.

Além disso, a técnica pode ser repetida, quando necessário, e não interfere negativamente em abordagens terapêuticas futuras, consolidando-se como uma alternativa relevante no tratamento das fístulas anais.

Saiba mais em: DOI: https://doi.org/10.30574/gscarr.2025.24.1.0202

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