Nibras A.A. Hindy | Suha Abdulhussein Hindy | Ahmed Hindy
Resumo
Nas últimas décadas, a cirurgia cutânea a laser ganhou popularidade entre os cirurgiões. Esse tipo de cirurgia baseia-se nos princípios da teoria da fototermólise seletiva. O laser de dióxido de carbono (CO₂) atua seletivamente em tecidos ricos em água, promovendo vaporização tecidual controlada. A ablação do tecido e a zona de dano térmico residual são acompanhadas por uma coagulação tecidual mais profunda.
Um fragmento de pele humana íntegra e viável foi utilizado neste estudo. Múltiplas incisões com laser de CO₂ foram realizadas utilizando diferentes parâmetros do laser antes da excisão total do tecido. Posteriormente, foi realizada avaliação histopatológica das amostras. As lâminas foram examinadas em microscopia óptica para avaliar as zonas de dano térmico, as bordas da ferida e o estado dos vasos sanguíneos cutâneos.
A análise histopatológica demonstrou que as três zonas térmicas observadas nas incisões variaram de acordo com os parâmetros do laser utilizados.
Introdução
O laser é um dispositivo capaz de amplificar a luz em um feixe altamente intenso e praticamente monocromático, por meio da emissão estimulada da radiação. A cirurgia incisional com laser de CO2 foi realizada pela primeira vez há cerca de quatro décadas, mas inicialmente perdeu espaço devido ao dano térmico excessivo, resultando em feridas com menor resistência tênsil e aspecto cicatricial insatisfatório.
O ressurgimento do laser de CO2 no início da década de 1990 ocorreu graças ao desenvolvimento de uma nova geração de equipamentos capazes de produzir incisões em tecidos moles com menor dano térmico nas bordas da ferida. O laser de CO₂ é considerado um dos primeiros lasers a proporcionar uma lesão térmica precisa, localizada e bem controlada, oferecendo propriedades tanto incisionais quanto ablativas.
Interação Laser–Tecido
A luz interage com os tecidos por meio de absorção, transmissão, reflexão, refração e dispersão. A absorção da energia luminosa resulta em aumento da energia térmica do tecido. Quando a energia absorvida não é reemitida, ela se converte em calor.
Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, os efeitos térmicos podem ser classificados em três principais ações:
- Hipertermia: aumento moderado da temperatura (41°C a 44°C), levando à morte celular retardada.
- Coagulação: necrose irreversível sem destruição imediata do tecido, ocorrendo entre 50°C e 100°C.
- Vaporização: perda de substância tecidual acima de 100°C, com rápida formação de vapor.
Como o laser de CO2 é altamente absorvido pela água — principal componente dos tecidos moles — ocorre vaporização celular com ruptura das células, permitindo incisões precisas e controladas, com profundidade limitada de penetração.
Materiais e Métodos
Foram avaliadas histopatologicamente incisões realizadas com laser de CO2 em amostras de pele humana viável, com o objetivo de analisar seu comportamento como ferramenta cirúrgica cutânea.
Foram utilizadas amostras de pele obtidas de uma paciente do sexo feminino, 20 anos, provenientes de área cirúrgica descartável. As amostras foram divididas em nove segmentos, e cada um recebeu uma incisão com parâmetros distintos de potência e frequência.
Após o procedimento, os fragmentos foram fixados em formol a 10% e preparados para análise histopatológica em microscopia óptica.
Resultados
A calibração do equipamento demonstrou que a potência efetivamente entregue correspondia a cerca de 80% do valor exibido no visor do equipamento. As incisões realizadas com laser de CO2 apresentaram três zonas distintas de lesão térmica:
- Zona central: área da incisão propriamente dita, onde ocorreu vaporização do tecido.
- Zona adjacente: área de dano térmico, com tecido amorfo próximo às bordas da ferida.
- Zona periférica: tecido com aspecto próximo ao normal, podendo apresentar discreta reação inflamatória.
Os melhores resultados, com menor dano térmico à epiderme, foram observados em parâmetros com menor duração de pulso e fluência moderada, especialmente quando utilizadas altas frequências (pulsos curtos).
Discussão e Conclusões
O laser de CO₂ promove vaporização da água intracelular, causando expansão celular e liberação explosiva de vapor, resultando em ablação tecidual. Parte da energia térmica é conduzida para camadas mais profundas, formando uma zona de dano térmico permanente caracterizada por desnaturação proteica.
Quanto maior o tempo de exposição ou a duração do pulso, maior é o dano térmico lateral. Esse efeito pode ser minimizado com o uso de pulsos curtos, alta potência de pico e tempo de relaxamento térmico adequado, reduzindo a condução de calor para os tecidos adjacentes.
Um aspecto positivo da coagulação térmica é a hemostasia eficaz, já que vasos sanguíneos menores que a zona de coagulação são selados, além de contribuir para a esterilização do campo cirúrgico.
Em conclusão, o laser de CO2, quando utilizado com parâmetros adequados, permite incisões precisas, com controle do dano térmico e vantagens importantes em termos de hemostasia e segurança cirúrgica.
Leia mais em: DOI: http://doi.org/10.36295/ASRO.2020.23111




