Laser de CO2 Fracionado Ablativo versus Laser Diodo 1410 nm Fracionado Não Ablativo no Tratamento de Cicatrizes de Acne

Mai Abdelraouf Osman, Shaimaa Mohamedadel Fawy, Dalia M. Abouelfadl, Mohamed Fouad Abdel Salam, Amin Sharobim and Abeer Attia Tawfik

Estudo clínico e imuno-histoquímico

As cicatrizes de acne representam um dos desafios mais frequentes na dermatologia estética e cirúrgica. Embora diversas tecnologias tenham sido desenvolvidas para melhorar a textura cutânea e estimular a remodelação dérmica, ainda existe a necessidade de tratamentos que combinem alta eficácia clínica com menor tempo de recuperação e menor risco de complicações.

Um estudo clínico recente comparou diretamente dois métodos amplamente utilizados: o laser de CO2 fracionado ablativo e o laser diodo fracionado não ablativo de 1410 nm, avaliando não apenas os resultados clínicos, mas também as alterações histológicas e imuno-histoquímicas associadas ao processo de regeneração da pele.

Por que tratar cicatrizes de acne continua sendo um desafio?

A acne ativa provoca inflamação intensa que pode destruir estruturas foliculares e dérmicas. Durante o processo de cicatrização, ocorre produção inadequada de colágeno, levando à formação de cicatrizes atróficas, como:

  • ice-pick
  • boxcar
  • rolling scars

Essas alterações não afetam apenas a aparência da pele, mas também estão associadas a impacto psicológico significativo, incluindo redução da autoestima e isolamento social.

Entre as opções terapêuticas disponíveis estão peelings químicos, microagulhamento, subcisão, preenchimentos dérmicos e tecnologias baseadas em energia, especialmente lasers fracionados.

Objetivo do estudo

O estudo teve como principal objetivo comparar:

  • a eficácia clínica dos dois tipos de laser;
  • o grau de remodelação do colágeno;
  • as alterações histológicas após o tratamento;
  • a segurança e tolerabilidade dos procedimentos.

Como o estudo foi conduzido

Foi realizado um estudo prospectivo comparativo envolvendo pacientes com cicatrizes atróficas de acne.

Protocolo

Cada participante recebeu tratamento em lados diferentes da face:

  • Lado direito: Laser de CO2 fracionado ablativo
  • Lado esquerdo: Laser diodo 1410 nm não ablativo

Foram realizadas três sessões de tratamento, com acompanhamento clínico e avaliações após três meses.

Avaliações realizadas

Os pesquisadores utilizaram:

  • Escala quantitativa e qualitativa de Goodman & Baron;
  • Fotografias clínicas padronizadas;
  • Avaliação histopatológica;
  • Análise imuno-histoquímica para colágeno tipo I.

Resultados clínicos

Ambos os lasers promoveram melhora significativa das cicatrizes de acne.

Os principais achados incluem:

✅ redução visível da profundidade das cicatrizes
✅ melhora da textura da pele
✅ aumento da produção de colágeno
✅ remodelação dérmica progressiva

O laser de CO2 apresentou melhora clínica ligeiramente superior em alguns casos, especialmente nas cicatrizes mais profundas. Entretanto, a diferença entre os métodos não foi estatisticamente significativa em vários subtipos de cicatriz.

Remodelação do colágeno: o que aconteceu na pele?

A análise histológica demonstrou aumento da deposição de colágeno após os tratamentos.

Observou-se:

  • reorganização das fibras dérmicas;
  • aumento da densidade de colágeno;
  • melhora estrutural da matriz extracelular.

Embora ambos os lasers tenham estimulado neocolagênese, o laser de CO₂ mostrou níveis discretamente maiores de expressão de colágeno tipo I.

Segurança e efeitos adversos

Os efeitos colaterais foram leves e transitórios.

Laser de CO2

  • maior eritema pós-procedimento;
  • maior tempo de recuperação;
  • descamação e crostas temporárias.

Laser diodo 1410 nm

  • menor tempo de downtime;
  • menor desconforto;
  • recuperação mais rápida.

Nenhuma complicação grave foi registrada.

O que esses resultados significam na prática clínica?

Os dados reforçam um conceito cada vez mais discutido na medicina baseada em energia: não existe um único laser ideal para todos os pacientes.

O laser de CO₂ oferece maior potência terapêutica, sendo indicado especialmente para cicatrizes mais profundas. Já o laser não ablativo representa uma alternativa segura para pacientes que buscam melhora gradual com menor interrupção das atividades diárias.

Assim, a escolha deve considerar:

  • tipo de cicatriz;
  • fototipo cutâneo;
  • tolerância ao downtime;
  • expectativas do paciente.

Limitações do estudo

Os autores destacam algumas limitações importantes:

  • número reduzido de participantes;
  • tempo de acompanhamento relativamente curto;
  • ausência de grupo controle independente.

Estudos maiores e com seguimento prolongado são necessários para confirmar os achados.

Conclusão

Tanto o laser de CO2 fracionado ablativo quanto o laser diodo 1410 nm fracionado não ablativo demonstraram eficácia no tratamento das cicatrizes de acne.

O laser de CO2 apresentou tendência a resultados mais intensos, enquanto o laser não ablativo mostrou perfil de segurança superior e recuperação mais rápida.

Esses resultados reforçam o papel das tecnologias a laser como ferramentas fundamentais na remodelação cutânea e indicam que abordagens personalizadas são essenciais para otimizar os resultados terapêuticos.

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