Pilonidotomia a laser de energia mínima (MELPi): um estudo multicêntrico de um novo método no tratamento da doença pilonidal

Fabrício Doin Paz Oliveira¹ · Sonia Cristina Cordero Time²˒³ · Ana Carolina Buffara Blitzkow⁴ · Lucas Rodrigues Boarini⁵ · Aline Amaro Munhóz⁶ · Ricardo Everton Dias Mont’Alverne⁷

A Doença Pilonidal (DP) é um desafio frequente na coloproctologia, especialmente pelos altos índices de dor, complicações e recidivas associados às técnicas tradicionais. Nos últimos anos, procedimentos minimamente invasivos com laser têm ganhado destaque, e agora um estudo multicêntrico brasileiro apresenta uma nova proposta promissora: o MELPi – Minimum Energy Laser Pilonidotomy.

Publicada em 2024 na Updates in Surgery, a pesquisa avaliou os resultados iniciais dessa abordagem inovadora, que utiliza energia laser significativamente menor do que outras técnicas já conhecidas, mantendo eficácia e reduzindo complicações.

O que é o MELPi?

O MELPi é uma técnica minimamente invasiva que combina:

  • Incisões puntiformes espaçadas a cada 1 cm ao longo de todo o trajeto fistuloso.
  • Curetagem completa de pelos, tecido inflamado e restos do cisto.
  • Aplicação de laser diodo 1470 nm, perpendicular ao trajeto, com energia reduzida (8 J/cm).

O objetivo é destruir o epitélio do cisto e promover colapso do trajeto com mínimo dano térmico, acelerando a cicatrização.

Como foi conduzido o estudo

  • 4 centros cirúrgicos no Brasil participaram.
  • 47 pacientes foram incluídos, totalizando 50 procedimentos.
  • Foram aceitos casos primários e recorrentes.
  • O período avaliado foi de 2019 a 2023.

As variáveis analisadas incluíram dor, tempo de cicatrização, complicações, recidiva e retorno às atividades.

Principais resultados

Os achados iniciais do estudo mostram que o MELPi apresenta excelentes resultados, especialmente considerando que mais de um terço dos casos eram recidivantes (estágio R da classificação de Guner).

 Energia utilizada

  • Média de 433 J, muito menor do que em outras técnicas a laser (que chegam a mais de 200 J/cm).

 Tempo de recuperação

  • Cicatrização mediana: 15 dias.
  • Retorno ao trabalho: 7 dias.
  • Dor pós-operatória (VAS): mediana de 2.

Complicações

  • Ocorreram apenas 2 casos de celulite (4%), tratados com antibióticos.

Recorrência

  • 10% dos pacientes apresentaram recidiva.
  • Três deles foram reoperados com um segundo MELPi – todos com sucesso e sem recorrência após 6 meses.

Por que o MELPi é inovador?

O estudo reforça que:

  • Menos energia = menos risco de queimaduras, dor e fibrose.
  • Técnica permite melhor drenagem, reduzindo infecções.
  • Pode ser repetida em caso de recidiva, com bons resultados.
  • É aplicável tanto em casos simples quanto complexos.

Além disso, os autores destacam a carência de protocolos padronizados na cirurgia a laser para Doença Pilonidal. O MELPi se apresenta como uma alternativa segura, reprodutível e eficiente.

Conclusão do estudo

O MELPi oferece:

  • Recuperação rápida
  • Baixa dor
  • Baixa taxa de complicações
  • Bons resultados em casos recorrentes
  • Possibilidade de reintervenção quando necessário

Os pesquisadores concluem que o método é uma opção segura e eficaz, com grande potencial para se tornar uma técnica padrão no tratamento minimamente invasivo da Doença Pilonidal. Estudos com mais pacientes e longo prazo ainda são necessários, mas os resultados iniciais são muito promissores.

Leia o artigo completo em: https://doi.org/10.1007/s13304-024-01848-w

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